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sábado, 6 de junho de 2020

Ordem Coleoptera

     A ordem Coleoptera é o maior grupo de animais conhecidos, com cerca de 360.000 espécies, representam 40% de todos o insetos e 30% dos animais. Os coleópteros, conhecidos como besouros, podem ter diferentes formas, cores e habitar diversos ambientes. A diagnose dos coleópteros é o primeiro par de asas modificadas em élitros (estojo).
     Os besouros possuem variação de tamanho, desde 1mm até cerca de 20cm. O Titanus giganteus L., por exemplo, é o maior coleóptero conhecido, mede em torno de 20cm.


Características gerais


Imagem:
Besouros “serra-paus” do Semiárido: diversidade e ecologia
     Além do primeiro par de asas modificadas em élitros, são algumas características dos coleópteros: peças bucais voltadas para frente com um focinho ou rostro; olhos compostos geralmente presentes e desenvolvidos; antenas basicamente subdivididas em três segmentos: escapo, pedicelo e flagelo, e morfologicamente variadas; aparelho bucal geralmente do tipo mastigador; mandíbulas grandes e robustas ou delgadas e afiliadas; protórax grande e geralmente distinto dos demais segmentos torácicos; o metatórax é pequeno; as asas posteriores são em geral membranosas; as pernas são geralmente similares mas podem apresentar adaptações; os tarsos possuem garras com formas variadas e estruturas adesivas; esternitos abdominais são esclerotizados; os tergitos são frágeis e protegidos pelos élitros; as fêmeas apresentam 9 segmentos abdominais e os machos 10 segmentos; a maioria realiza reprodução sexuada; muitas espécies apresentam dimorfismo sexual, no geral, os machos apresentam cornos ou tubérculos na cabeça ou no protórax; são holometábolos, ou seja, passam por metamorfose completa: ovo, larva, pupa e adulto. Na fase larval, podem sofrer até 15 ecdises até a fase de pupa. As larvas e adultos de coleópteros geralmente possuem o mesmo hábito alimentar.

     Lembrando que na Biologia sempre há exceções. Essas são características gerais da maioria dos coleópteros, mas há diferenças em algumas famílias.


Foto: Bruna Gutierrez (Gorgulho)

Foto: Bruna Gutierrez (Besouro-Serra-Pau)


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Referências:

Ordem Coleoptera: Aspectos Gerais e Aplicação na Importância Forense. Ivan Cesar Desuó. André Sunao Nishiuchi Murakami. Guilherme Gomes. Leonardo Gomes

Besouros (Insecta: Coleoptera) utilizados como biondicadores. Pedro Giovâni da Silva. Franciéle Carneiro Garcês da Silva. 2011

EMBRAPA



quarta-feira, 3 de junho de 2020

Coleção Entomológica

     Coleções entomológicas são produzidas com diferentes espécies de insetos e são muito importantes para estudos científicos ou didáticos. A maioria é preservada a seco, mas também existem outros meios de preservação, como em álcool 70% ou montados em lâminas.

Etapas de produção de uma coleção entomológica


Licença: inicialmente, é necessário obter uma licença para a coleta, transporte e armazenamento
Foto: Bruna Gutierrez
junto aos órgãos ambientais;


Técnica de coleta: é necessário escolher qual preservará a integridade do inseto. Por exemplo, para capturar uma borboleta, pode-se utilizar uma rede entomológica, método ideal para insetos voadores;

Montagem: a preservação a seco é a mais utilizada e a montagem é realizada com alfinetes entomológicos. A montagem precisa ser realizada o mais rápido possível pois o inseto seca rapidamente e pode danificá-lo nesse processo. A numeração do alfinete mais utilizada são 0, 1 e 2. Cada ordem de inseto possui um local correto para a alfinetagem, isso diminui os danos no material causados por esse processo. Asas, pernas e antenas devem ser posicionados de uma forma visível;

Secagem: após a montagem, os insetos podem ser desidratados em estufa ou simplesmente deixando-os em um local seco por alguns dias;

Identificação: todos os insetos precisam ter etiquetas (2cm x 1cm) com as suas informações (local coletado, nome do coletor, nome da espécie);

Organização: após todos esses processos, os insetos podem ser acondicionados em uma caixa de madeira com uma tampa de vidro. Para fixar o alfinete, é necessário utilizar um material possível de alfinetar, como a placa de isopor.

     Tem uma publicação muito interessante da Embrapa que explica sobre Coleções Entomológicas com mais detalhes. Se quiser conferir, está disponível no link https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/122542/1/amabilio-01.pdf


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Referência:

Embrapa


quarta-feira, 27 de maio de 2020

Entomofagia e Antropoentomofagia

Entomofagia e Antropoentomofagia: o que é? 


Entomofagia é o hábito de comer insetos e outros invertebrados, como aranhas e escorpiões, tanto por animais quanto por humanos. Quando se restringe a humanos utilizamos o termo Antropoentomofagia.

     Todo mundo sabe ou já deve ter visto algum animal se alimentando de insetos, mas e no caso dos humanos, será que isso é comum? Embora aqui no Brasil isso não faça parte da nossa cultura, existem algumas regiões do país em que certas populações consomem insetos, mas em outros países, principalmente da África e Ásia, esse hábito é bem comum. E pode acreditar, algumas espécies de insetos são muito apreciadas nessas regiões! Mais de 1.780 espécies são utilizadas na alimentação humana, sendo as mais consumidas: besouro-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum Linnaeus, 1764), abelha (Apis mellifera Linnaeus, 1758), tanajura ou içá (Atta cephalotes Linnaeus, 1758), gafanhoto (Sphenarium purpurascens Charpentier, 1845), bicho da seda (Bombyx mori Linnaeus, 1758), louva-a-deus da Tailândia e o tenébrio (Tenebrio molitor Linnaeus, 1758).

Os insetos e suas propriedades nutricionais

     
     Os insetos possuem muitos nutrientes como ácidos graxos, ferro, fibras, fósforo, manganês, selênio e zinco e, principalmente, proteínas e aminoácidos sendo que algumas ordens de insetos até superam os valores nutricionais de um produto animal: a ordem Orthoptera, por exemplo, (grilos e gafanhotos) supera a quantidade de proteínas (67,47g a cada 100g) de peixes, carne bovina e ovos (81,11g, 54g, 46g - respectivamente - a cada 100g). A ordem Hemiptera possui mais aminoácidos (66mg a cada 100g) do que o ovo e carne bovina (54mg e 49mg - respectivamente - a cada 100g).

Consumo de insetos no Brasil e no mundo

     
     Existe uma grande barreira cultural que dificulta que o consumo de insetos seja uma prática considerada normal. Aqui no Brasil poucas regiões do país se consome insetos e o maior consumo está registrado no Norte e Nordeste do país. Os insetos mais consumidos são a tanajura ou içá, bicho-do-coco e saúva.

     Você pode até pensar que nunca comeu um inseto na sua vida. Mas e seu eu disser que você já comeu e nem percebeu? Pois é, alguns alimentos e cosméticos possuem um corante vermelho feito com a cochonilha (Dactylopius coccus Costa, 1835). Uma pessoa pode ingerir até meio quilo de insetos de forma involuntária durante uma vida! Além da cochonilha, a Anvisa permite uma certa quantidade de insetos nos alimentos industrializados.

     A China e a Tailândia são os países que mais se pratica a antropoentomofagia e onde também tem mais espécies de insetos comestíveis, esse hábito faz parte da cultura da população.

Danos ambientais: consumo de carne animal x consumo de insetos

     
     O consumo de insetos promove inúmeros benefícios, não só no quesito nutricional mas também em relação ao meio ambiente. A agropecuária é a atividade que mais causa danos ambientais no mundo: cerca de 40% da superfície da Terra é utilizado para a agricultura e 30% para o pasto.

     Entre os danos ambientais causados pela agropecuária estão:
  • Desmatamento: para a criação do gado é necessário desmatar grandes áreas;
  • Água: a agropecuária é a atividade que mais consome água no mundo, cerca de 90% do consumo mundial;
  • Emissão de GEE (gases do efeito estufa):  segundo a ONU, em relação a atividades antrópicas, a pecuária é responsável pela emissão de 14,5% de GEE e as atividades agrícolas por 30% do total de gases do efeito estufa no mundo;
  • Saúde pública: o consumo de carne aumenta significativamente as chances de adquirir uma zoonose e também é um dos principais causadores da resistência bacteriana;
  • Sofrimento animal: os animais destinados ao abate e até aqueles em que se consome derivados, possuem uma condição de vida péssima, são obrigados a ficarem em lugares minúsculos e sem poderem se movimentar, entre outros causadores da má qualidade de vida.
Agora em relação à criação de insetos, existem muito mais benefícios:
  • Conversão energética: os insetos possuem uma conversão energética mais eficiente, necessitando de 2kg de alimento para converter em 1kg de massa corporal. Já os bovinos precisam de 8kg de alimento para produzir 1kg de massa corporal;
  • Solo e água: para a criação de insetos, é necessária uma quantidade muito menor de água e solo em relação à criação de gado. O tenébrio, por exemplo, é muito mais resistente a seca do que o gado;
  • Emissão de GEE: os insetos emitem menos GEE em relação a pecuária atual. Os suínos por exemplo, produzem de 10 a 100 vezes mais gases do efeito estufa por quilograma de peso;
  • Saúde pública: os insetos apresentam um risco muito menor de transmissão de zoonose em relação à carne animal e não são utilizados hormônios ou antibióticos em sua criação, entre outros pontos positivos da antropoentomofagia.

E aí, você comeria um inseto assim? Esses são tenébrios (Tenebrio molitor) desidratados prontos para o consumo humano, muito utilizados na culinária. Em 100g possui 23,2g de lipídeos, 4,7g de fibras e 58,8g de proteínas.

Foto: Bruna Gutierrez

O conteúdo desse texto foi retirado do meu TCC apresentado em banca em 2019.

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Referências:

Minas RS, Kwiatkowski A, Klein S, Oliveira RF, Diemer O. Antropoentomofagia e Entomofagia: insetos, a salvação nutricional da humanidade. 1º edição. Brasília: Kiron; 2016.

Schuck C, Ribeiro R. Comendo o Planeta: Impactos Ambientais da Criação e Consumo de Animais. 3º edição. 2015. Disponível em: https://www.svb.org.br/livros/comendo_o_planeta.pdf

Costa Neto EM, Elorduy JR. Los insectos Comestibles de Brasil: etnicidad, diversidad e importancia em la alimentación. Boletín Sociedad Entomológica Aragonesa. n. 38, p. 423−442, 2006.

Romeiro ET, Oliveira ID, Carvalho EF. Insetos como alternativa alimentar: artigo de revisão (Contextos da Alimentação – Revista de Comportamento, Cultura e Sociedade). vol. 4 n. 1, set. 2015.

Halloran A, Vantomme P; Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). A Contribuição dos Insetos para a Segurança Alimentar, Subsistência e Meio Ambiente. 2015. Disponível em: https://www.ruralbit.com/client_manager/files/1433246501-7432.pdf

Costa Neto EM. Antropoentomofagia: Insetos na Alimentação Humana. 2º edição. Feira de Santana: UEFS Editora. 2014 14

Santos CAB, Florêncio RR. Breve Histórico das Relações Homem Ambiente Presentes na Entomofagia a Entomoterapia. Polem!ca. v. 12, n. 4, p. 786-798, dez. 2013.

Kato CG, Oliveira DM, Klein S, Kwiatkowski A, Inácio FB. Importância do Balanceamento Nutricional na Alimentação Humana. In: Minas RS. Antropoentomogafia e Entomofagia: insetos, a salvação nutricional da humanidade. 1º edição. Brasília: Kiron; 2016. P.48-55

Machado, PA. O homem e os insetos, passado, presente e futuro. Rev. Saúde Públ. 1987;21(6):474-9.

Constant PBL, Stringheta PL, Sandi D. Corantes Alimentícios. B. CEPPA. 2002;20(2):203-20.

Linassi R, Borghetti B. Antropoentomofagia: um estudo sobre as potencialidades dos insetos como alimento no Brasil. In: Antropoentomofagia: Insetos na Alimentação Humana. 2º edição. Feira de Santana: UEFS Editora; 2011. P. 55-75

Pereira AC, Silva GZ, Carbonari MEE. Sustentabilidade, responsabilidade social e meio ambiente. 1 edição. São Paulo: Saraiva; 2014

Durst PB, Johson DV, Leslie RN, Shono K; Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). Forest insects as food: humans bite back: Proceedings of a workshop on Asia-Pacific resources and their potential for development. 2010. Disponível em: http://buglady.dk/wp-content/uploads/2015/02/edible-forestinescts.pdf#page=182